No
percurso de nossa existência, e nas diversas situações nas quais nos
envolvemos, por vontade própria ou por conjunção de fatores não previstos,
buscamos otimizar nosso desempenho para atingir os melhores resultados, para
isso contamos com ferramentas intelectuais que fazem parte da nossa evolução
enquanto espécie, em termos gerais, capacidade de produzir e transmitir
conhecimento para transpor obstáculos e desafios. Conhecimento que é construído,
desconstruído, reconstruído aprendido, reaprendido, num processo quase infinito
de ressignificação, fazendo com que sejamos impulsionados a uma evolução
contínua. E é justamente nessa ideia de busca por melhoria de vida,
seja qual for seu aspecto, num processo humano e objetivo de orientação, que consiste o sentido das práticas de coaching e mentoring, capazes de
proporcionar progressos contextuais na vida dos indivíduos.
E no filme Perfume de mulher podemos fazer uma leitura clara, na interação entre os protagonistas do filme, da
dinâmica dos processos de Coaching e Mentoring. O Coaching, portanto, consiste
basicamente num processo de diálogo reflexivo através do qual o profissional de
Coaching irá auxiliar o Coachee no aprimoramento de suas competências
utilizando técnicas como a das perguntas poderosas, induzindo-o a uma saída de
sua zona de conforto, com conseqüente reestruturação de concepções, ampliação
da consciência de sua capacidade, aumento de senso de responsabilidade e
aumento de sua compreensão da realidade, tornando-o capaz de responder suas
próprias perguntas, em curto e médio prazo, com foco no cumprimento de metas
pré-estabelecidas, visando resultados objetivos profissionais.
Já
no Mentoring, predominam as ideias de compartilhamento de experiência e
orientação sobre a realidade do cliente por parte de um mentor mais experiente,
que irá proporcionar um processo de ampliação da consciência de si e consequentemente
da visão de mundo do tutorado. Enquanto ferramenta intelectual, a natureza
holística do Mentoring permite o exercício de construção e desconstrução de concepções, na busca do caminho que mais o aproxime da qualidade vida almejada
trabalhando sua capacidade de adaptação a mudanças profissionais, definição de
objetivos e enfrentamento racional de situações críticas.
O
filme Perfume de Mulher (Scent of a Woman, EUA, 1992, drama,
dirigido por Martin Brest), conta a história do ex-militar Frank
Slade (Al Pacino) e sua relação de amizade com o jovem Charlie Simms (Chris
O'Donnell), contratado para acompanhá-lo como guia em virtude de sua cegueira
durante um final de semana. O objetivo de Frank é realizar uma viagem a Nova
York, onde pretende, antes de cometer suicídio, refazer uma rotina de prazeres
e diversões dos quais desfrutara antes do acidente que o cegou.
Identificamos,
no filme, momentos importantes dessas práticas. Tudo começa com a iniciativa de
Charlie (Coachee) e sua resiliência ao lidar com o difícil temperamento de
Frank, e a forma desafiadora e questionadora dos discursos deste último, que
ajudam Charlie a desenvolver capacidade de firmeza e tomada de decisões, já em
relação ao dilema: interesse pessoal X interesse de grupo, no qual a delação
seria objetivamente o caminho mais lucrativo e seguro na opinião de Frank, Charlie
reluta por conflitar com seus valores pessoais, e os dois acabam trocando rico
aprendizado, pois em seu íntimo o amargurado Frank reconhece e posteriormente
expõe profunda admiração por este viés do caráter de Charlie. Percebemos no
momento da ida dos protagonistas ao restaurante, com a cena da dança de tango,
outra amostra de coaching/mentoring como a capacidade de improvisar diante de
um desafio desprovido de regras, e que muitas vezes não precisamos de certos
recursos (no caso a visão) para atingir objetivos fora da zona de conforto, que
a priori pareceriam impossíveis, tamanha a dependência de certas condições.
Chama
a atenção, a dramática cena de tentativa de suicídio do Tenente-coronel, no
quarto do hotel, interrompida por Charlie, na qual percebemos uma inversão de
papéis que está subentendida em todo o filme, a de que Frank na verdade é
também Coachee/Cliente de Charlie na medida em que este último o faz perceber
que sua cegueira não é desculpa para desistência de seus objetivos e o guia não
só literalmente, mas o faz perceber internamente sua fraqueza e descobrir suas
capacidades e habilidades para lidar com o mundo a sua volta, modificando sua
ideia de percepção e visão do mundo, encontrando em si mesmo as respostas para
o enfrentamento de uma condição completamente diferente da que possuía,
desenvolvendo uma atitude mental saudável após a “destruição” de sua realidade,
reconstruindo-a. E ao retornar à sua casa vemos o tratamento diferente dado por
Frank às crianças, cristalizando no processo de mudança, a ideia de renovação.
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