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domingo, 30 de novembro de 2014

Processos de Coaching e Mentoring, exemplo do filme Perfume de Mulher.


No percurso de nossa existência, e nas diversas situações nas quais nos envolvemos, por vontade própria ou por conjunção de fatores não previstos, buscamos otimizar nosso desempenho para atingir os melhores resultados, para isso contamos com ferramentas intelectuais que fazem parte da nossa evolução enquanto espécie, em termos gerais, capacidade de produzir e transmitir conhecimento para transpor obstáculos e desafios. Conhecimento que é construído, desconstruído, reconstruído aprendido, reaprendido, num processo quase infinito de ressignificação, fazendo com que sejamos impulsionados a uma evolução contínua. E é justamente nessa ideia de busca por melhoria de vida, seja qual for seu aspecto, num processo humano e objetivo de orientação, que consiste o sentido das práticas de coaching e mentoring, capazes de proporcionar progressos contextuais na vida dos indivíduos.
 E no filme Perfume de mulher podemos fazer uma leitura clara, na interação entre os protagonistas do filme, da dinâmica dos processos de Coaching e Mentoring. O Coaching, portanto, consiste basicamente num processo de diálogo reflexivo através do qual o profissional de Coaching irá auxiliar o Coachee no aprimoramento de suas competências utilizando técnicas como a das perguntas poderosas, induzindo-o a uma saída de sua zona de conforto, com conseqüente reestruturação de concepções, ampliação da consciência de sua capacidade, aumento de senso de responsabilidade e aumento de sua compreensão da realidade, tornando-o capaz de responder suas próprias perguntas, em curto e médio prazo, com foco no cumprimento de metas pré-estabelecidas, visando resultados objetivos profissionais.
 Já no Mentoring, predominam as ideias de compartilhamento de experiência e orientação sobre a realidade do cliente por parte de um mentor mais experiente, que irá proporcionar um processo de ampliação da consciência de si e consequentemente da visão de mundo do tutorado. Enquanto ferramenta intelectual, a natureza holística do Mentoring permite o exercício de construção e desconstrução de concepções, na busca do caminho que mais o aproxime da qualidade vida almejada trabalhando sua capacidade de adaptação a mudanças profissionais, definição de objetivos e enfrentamento racional de situações críticas.
O filme Perfume de Mulher (Scent of a Woman, EUA, 1992, drama, dirigido por Martin Brest), conta a história do ex-militar Frank Slade (Al Pacino) e sua relação de amizade com o jovem Charlie Simms (Chris O'Donnell), contratado para acompanhá-lo como guia em virtude de sua cegueira durante um final de semana. O objetivo de Frank é realizar uma viagem a Nova York, onde pretende, antes de cometer suicídio, refazer uma rotina de prazeres e diversões dos quais desfrutara antes do acidente que o cegou.
 Identificamos, no filme, momentos importantes dessas práticas. Tudo começa com a iniciativa de Charlie (Coachee) e sua resiliência ao lidar com o difícil temperamento de Frank, e a forma desafiadora e questionadora dos discursos deste último, que ajudam Charlie a desenvolver capacidade de firmeza e tomada de decisões, já em relação ao dilema: interesse pessoal X interesse de grupo, no qual a delação seria objetivamente o caminho mais lucrativo e seguro na opinião de Frank, Charlie reluta por conflitar com seus valores pessoais, e os dois acabam trocando rico aprendizado, pois em seu íntimo o amargurado Frank reconhece e posteriormente expõe profunda admiração por este viés do caráter de Charlie. Percebemos no momento da ida dos protagonistas ao restaurante, com a cena da dança de tango, outra amostra de coaching/mentoring como a capacidade de improvisar diante de um desafio desprovido de regras, e que muitas vezes não precisamos de certos recursos (no caso a visão) para atingir objetivos fora da zona de conforto, que a priori pareceriam impossíveis, tamanha a dependência de certas condições.
 Chama a atenção, a dramática cena de tentativa de suicídio do Tenente-coronel, no quarto do hotel, interrompida por Charlie, na qual percebemos uma inversão de papéis que está subentendida em todo o filme, a de que Frank na verdade é também Coachee/Cliente de Charlie na medida em que este último o faz perceber que sua cegueira não é desculpa para desistência de seus objetivos e o guia não só literalmente, mas o faz perceber internamente sua fraqueza e descobrir suas capacidades e habilidades para lidar com o mundo a sua volta, modificando sua ideia de percepção e visão do mundo, encontrando em si mesmo as respostas para o enfrentamento de uma condição completamente diferente da que possuía, desenvolvendo uma atitude mental saudável após a “destruição” de sua realidade, reconstruindo-a. E ao retornar à sua casa vemos o tratamento diferente dado por Frank às crianças, cristalizando no processo de mudança, a ideia de renovação.

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